Quadro da Vida
- Por Henriques Braga 0 comentários
Não que a vida não traga em si o gérmen do lúdico. Brincar, correr, sorrir, se apavorar ou se apaixonar faz parte desse jogo que nós, eternas crianças, brincamos às vezes até mesmo sem saber, absortos, ignorantes de um princípio e esquecidos de um fim, quando nosso Pai nos chama para Casa. Mas a vida não é o quintal do paraíso; o tempo em que somos deixados entre nós mesmos, às vezes até mesmo distantes, inclui, mesmo por isso, escuridão.
Pois as grandes obras de arte não são aquelas que nos arrebatam em emoções de momento; são aquelas que nos fazem refletir continuamente, como uma luz prospectando pelo fundo, para além do coração, onde os achados da alma são mais inusitados e preciosos. É bom querer manter aquela eterna juventude, poder acordar e se alegrar com qualquer coisa, como um céu sem nuvens; é bom sentir aquela pulsação do primeiro amor. Mas que amor e alegria não perseveram e se aprofundam quando, apesar das dificuldades e em virtude delas, olhamos para nossa pequena vida e encontramos a vida? Ganhamos brilho próprio, sem precisar de empréstimo.
Por isso aqueles imbuídos do “espírito dionisíaco”, quando ignorantes de Apolo, fracassam. Não é por acaso que o deus-sol, em diversas culturas e sob diversas denominações, aparece sempre como o deus da vida; o homem não vive se passa pela vida sem poder enxergar e refletir sobre seus passos. Outrossim, homens cambaleantes como Nietzsche, adoradores de Baco, embriagam-se tanto com a própria vaidade que terminam num… hospício.
Sou um partidário daqueles que tomam a natureza como o modelo perfeito, original, para imitar ou reproduzir. Para mim, se aos animais foi dado o instinto e aos homens a inteligência, cada qual deve se comportar a sua maneira. Os animais podem agir para satisfazer às suas necessidades, sem arcar com as conseqüências de seus atos, porque não pensam. Os homens, a quem foi dado o livre-arbítrio e o domínio do mundo, podem e devem assumir sua responsabilidade.
Porque o homem é um ser cultural. Nesse sentido, aliás, concordo ipsis literis com o que Nietzsche propõe: uma vida menos sisuda, uma razão menos categorizadora e distante, mais aberta à poesia e à música. Mais aberta às coisas da vida. Nós olhamos an passant para um quadro e o achamos belo, sem nos determos muito para não perdermos nosso precioso tempo; quando pudermos nos perder por muitos minutos nele é que acharemos o verdadeiro sentido do belo. E do tempo.
Por isso é que, acreditamos, frases que motivam este texto, como “a arte da vida consiste em fazer da vida uma obra de arte” merecem ser apreciadas com uma atenção especial. Especialmente quando partem de pessoas especiais, como Gandhi. Confira nossos produtos relacionados e guarde um momento especial desse, definitivamente, com você.





