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  • Myh Farias

1 + 1 = 3...A fase de reconhecimento

Atualizado: 6 de Jun de 2018

Depois que o pacotinho chega ao mundo, achei que nossa vida seria igual ao comercial de margarina, todo mundo em volta da mesa de café da manhã com um belo sorriso, o bebê tranquilo e a família linda e feliz. Affff... que baque, ninguém me avisou que a chegada do nosso tão esperado bebezinho traria uma transformação muito grande em nossas vidas e tudo seria tão tenso, intenso, desgastante, desafiante, assustador e maravilhoso ao mesmo tempo.


Não conheço um casal (claro, falo de pessoas simples, meros mortais) que tenha relatado que os três primeiros meses de vida com seu bebê tenha sido a coisa mais calma, linda e amável do mundo. Primeiro porque a soma que antes era 1 + 1 = 2 (vida linda, leve e solta) de um casal passa a ser 1 + 1 = 3, pois é não deixamos de ser um casal (ou não deveríamos nessa fase). Somos um casal com um filho e tornamos uma família. Só que pelo menos aqui neste país, nenhum pré natal é acompanhado por um planejamento familiar, onde o casal (tanto hetero quanto homossexual) é preparado para o que está por vir. E mesmo em caso de adoção, acredito eu, que o planejamento familiar e a preparação do casal não aborde essa fase. O que deveria ser de suma importância, pois casais preparados saberiam lidar melhor com as circunstâncias e situações que ocorrem neste período. Acontece que existem muitos rompimentos de casais no primeiro ano de vida do filho, porque muita gente não sabe lidar com essa situação. E olha, não é fácil mesmo!


O intuito aqui não é desanimar, amedrontar ou qualquer coisa negativa do tipo. Mas esclarecer que tudo isso é normal, faz parte da estruturação familiar. Para a mulher as mudanças são infinitamente mais intensas do que no homem...a mulher sente e o homem desorientado não entende...por isso, repito, a importância do suporte ao casal do que acontecerá nos próximos três meses. 


Tudo muda e nunca mais o casal será o mesmo. Cada casal terá uma experiência, mas esse período, que chamo de fase de reconhecimento é o mais delicado e difícil na vida dessa família. Primeiro porque o casal precisa se reconhecer como pais, a mulher como mãe, o marido como pai e o bebê ser reconhecido como filho. Isso ocorrerá apenas se os três estiverem dispostos a desempenharem esse papel (que muitas vezes não acontece). Para isso é necessário infinita paciência, muito empenho, amor genuíno e união. E como se consegue isso num turbilhão de emoções desconhecidas até então? Com muita perseverança.


Lembro-me que meu pacotinho, do momento em que nasceu até o dia em que completou quatro meses, chorava sem parar de 18 horas da noite até as 6 da manhã, eu não sabia lidar com aquilo. Quando chegava perto desse horário já começava a me desesperar. Na época meu marido estava fazendo faculdade, recordo dele chegar tarde da noite, pegar o nosso bebê que já gritava e falar para mim: vai tomar um banho e dormir. Ás 3 horas da manhã ele me acordava e eu ficava com o bebê aos prantos até às 6 horas da manhã. Quantas vezes choramos juntos abraçados ao nosso pacotinho sem saber o que fazer. Quantas vezes fui apontada como aquela que não tinha paciência com o próprio filho, isso machucava-me profundamente e me fazia acreditar que eu era um lixo de mãe por três motivos: não passava segurança ao meu filho, não conseguia acalmá-lo e achava que não o amava o suficiente. Claro, porque entendia o amor de casal, onde dizia te amo e o outro sorria e correspondia. Com meu filho por mais que o embalasse, acolhesse e dissesse que o amava nada o fazia parar de chorar comigo e muitas vezes meu marido o segurava e ele se acalmava rapidamente. Isso era falta de amor? Não, era inexperiência, despreparo. Nas consultas do pré natal, morria de chorar relatando tudo ao pediatra e ele só ria pedindo para me acalmar, enquanto tentava (sem êxito,) me explicar que no meu caso tudo aquilo era normal, pois o intestino do meu pacotinho não estava completamente desenvolvido e isso acabaria quando ele completasse quatro meses (não é que aquele feiticeiro tinha razão). Por isso meu bebê sentia tanto desconforto a noite.


As melhores lembranças desse período foram os períodos de amamentação, apesar das fissuras nos seios, nada me trazia mais satisfação e sintonia com meu pequeno do que esse momento. Ele me olhava nos olhos e abria um enorme sorriso que o leitinho chegava a escorrer no cantinho da boca. Ali tudo era superado, a culpa e a frustração caia por terra, me sentia a pessoa mais feliz do mundo.


Passado a fase de reconhecimento, as coisas começaram a ganhar forma. Digo que comecei a me sentir mãe a partir dos quatro meses. Ele me entendia como mãe e eu o sentia como meu filho. A interação surge e os laços maternais se fortificam a cada dia, tudo se encaixa, o período de "estágio" passa e as coisas fluem...agora sem tanta dor, sem tanto sofrimento, pois cada um já entende o seu papel e o desempenha da melhor forma possível. A partir daí, é só curtição de fato...rsrs


Portanto, queridas mamães e papais, não pensem que isso só acontece com vocês. Infelizmente terei que concordar com o feiticeiro do pediatra, isso é só uma fase e (não é logo, logo, porque eu entendo vocês) demora mais passa. Tenham paciência, um com o outro e principalmente com o bebê, pois este só sabe se expressar dessa forma (ele não tem outra forma de comunicação ainda). Tentem juntos identificar cada choro, apoiem-se mutuamente, não se afastem, sejam companheiros e cúmplices mais do que nunca. Maridos desempenhem papéis das mulheres, cuidem do lar. Mulheres peçam ajuda, desempenhem seu papel de mãe (até aonde seu corpo e suas emoções permitirem), não se culpem, não dê ouvidos a outras pessoas, o resto deixa pra lá. É um momento de muita entrega e pouquíssimo resultado, este retorno vem depois e essa fase é extremamente importante para o desenvolvimento do bebê para o resto da vida dele.


Muita luz e paz e até a próxima.


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Prazer, essa sou eu...

    ... Apaixonada pela vida, amante das coisas simples. Movida pela energia da natureza e pela luz de Deus. Com 3.3 primaveras de muitas experiências e grandes lições. Aprendiz de psicóloga, descobrindo a arte da culinária e mãe em tempo integral. Essa sou eu neste momento, mas não se acomode, sou uma pessoa em constante mudança, ou melhor dizendo, uma metamorfose ambulante.

 

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