Buscar
  • Myh Farias

A vida não tem garantias

Atualizado: 4 de Jun de 2018

Ouvi essa frase em um  filme que assisti recentemente e, desde então, refleti muito a respeito dela. Viver não é meramente respirar e conquistar coisas, mas pode ser basicamente estar inteiro em cada situação que o universo lhe reserva.



Biologicamente falando, o ciclo da vida consiste em nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Todos nós (deveríamos) passar por esses estágios para completar a vida. A questão é que desde cedo somos "doutrinados" a ver a vida apenas dessa forma, e neste contexto, deixamos de viver. Quando nascemos, instintivamente precisamos de cuidados básicos até aprendermos a nos virar sozinhos, após crescidinhos começamos a fazer nossas escolhas e a alimentarmos sonhos, mas isso, sempre espelhados em alguém, assim, criamos (ou tentamos) criar nossa própria identidade. Já maiores, influenciados pelo meio social em grande parte, nos preocupamos com três coisas essencialmente: SER alguém, TER coisas e deixar nosso LEGADO (neste último seja em termos de reprodução e/ou construindo algo importante). Daí começa o desespero, a corrida contra o tempo para que tudo tenha sentido, propósito e seja garantido.


Estudamos "para sermos alguém", como se ser um SER HUMANO, já não fosse o bastante. Achamos que educação intelectual (acadêmica) nos dará garantias de sermos melhores e de termos uma vida melhor. E na verdade nenhuma coleção de títulos te dará garantia de uma vida segura, simplesmente porque essa "segurança" não está no "status" e sim na forma em que se vive. Senão as pessoas menos favorecidas seriam ninguém? As pessoas que não conquistaram nada na vida, mais se classificam como pessoas abençoadas e felizes seriam pessoas mentirosas e infelizes...e completamente sem nenhuma segurança na vida?

Ainda relacionado ao contexto acima, pessoas se afundam no trabalho para "garantirem" o futuro. Não vivem as fases da vida, não criam relações afetivas porque precisam deixar a família segura de um futuro promissor.


Outras pessoas lutam contra o tempo para não envelhecerem, fazem inúmeras cirurgias, tomam remédios, com a esperança de garantirem a longevidade, como se isso fosse retardar a morte e prolongar a vida. Ainda existem aquelas pessoas que quando envelhecem acham que a vida acabou, não aceitam a velhice e se entregam ao sofá e a TV, se excluem da vida em família achando que assim a dor da partida será menor.


Nesta conjectura, a vida envolve amor e muitas pessoas casam e permanecem em uma união falida porque acreditam que casamento é para sempre e a garantia aqui é de apenas não viver sozinho. Em outros casos, o indivíduo não se prende a ninguém porque já que nada é garantido, nem o amor do outro, o melhor é não se envolver emocionalmente.


Não menos importante, existem sujeitos com medo de arriscar na vida (para garantirem a sua vida). E aqueles que acreditam que a vida deve ser levada ao limite (já que a vida não garante nada).


O que eu quero dizer com tudo isso... Viver na mais pura essência é simples, a questão é como vivemos. A nossa sociedade coloca o ser humano como centro de tudo, e como tal, é aquele que precisa garantir todas as coisas para se ter uma vida feliz e plena. Onde a vida é regida por garantias, e no qual é necessário garantir o futuro.


Será que podemos garantir o futuro? 


Só que infelizmente (ou felizmente, pelo menos para mim) a vida não tem garantias, amar não lhe garante ser amado, ter saúde não lhe garante não adoecer, ser rico não lhe garante ser feliz, ser PHD não lhe garante um ótimo emprego, ter grandes títulos não lhe garante ser uma boa pessoa, viver bem (ou mal) não lhe garante uma vida plena.


A única garantia que temos é a da morte (e que pode ser a qualquer instante), portanto, deveríamos parar de viver para o futuro e dar mais atenção ao presente (acredito que esse nome não foi dado à toa). Já que a vida não tem garantias, reflita sobre o que você esta fazendo com ela (pois, essa vida é uma só). A reflexão proposta aqui não é de não estudar, parar de trabalhar, não casar... não é nada disso. E sim entendermos para que realmente estamos fazendo tudo isso.


Será que felicidade está relacionado a status?

Será que estar junto é melhor do que estar separado?

Será que um título acadêmico garante bom emprego?

Será que ser alguém se resume em ter educação intelectual?

Envelhecer é sinônimo de morte prévia?

Trabalho duro garante o futuro?


Tudo pode mudar de uma hora para outra, justamente pela vida ser tão flexível, então dê valor a cada momento, cada respiração, cada movimento, a cada coisa que você pode fazer, não se modele a apenas um percurso, um caminho, experimente coisas, viva com intensidade, faça algo inesperado, realize algo inédito (que você nunca pensou que fosse capaz de fazer), cuide da sua memória, cultive pensamentos bons, agradeça cada experiência sendo boa ou ruim,  ame-se primeiro, faça algo que você diz odiar por 21 dias e depois perceba se você ainda odeia, elogie, grite, chore, ore, tenha fé (nem que seja em você), sorria, ria alto, cante, dance e sempre se pergunte...


... Vale a pena?


Grande abraço.

286 visualizações
Prazer, essa sou eu...

    ... Apaixonada pela vida, amante das coisas simples. Movida pela energia da natureza e pela luz de Deus. Com 3.3 primaveras de muitas experiências e grandes lições. Aprendiz de psicóloga, descobrindo a arte da culinária e mãe em tempo integral. Essa sou eu neste momento, mas não se acomode, sou uma pessoa em constante mudança, ou melhor dizendo, uma metamorfose ambulante.

 

  • White Facebook Icon

© 2023 by Going Places. Proudly created with Wix.com

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now