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  • Myh Farias

O privilégio de se ter avós

Um dia no shopping estava aguardando meu lanche quando me deparei com uma cena fantástica: uma senhora, de cabelos brancos longos, com a pele cheia de pregas que não escondia sua idade, acompanhada de dois adolescentes. O trio conversava e ria descontraidamente, pareciam muito felizes. Pensei o quão privilegiado é meu filho por ter os avós maternos e paternos vivos  e senti uma pontinha de inveja boa.


Quero ser uma vovó babona que faz bolo e todas as guloseimas para o neto, e principalmente uma vovó antenada que participa da vida dos netos e que eles me queiram sempre por perto. Infelizmente não tive essa oportunidade com meus avós paternos, lembro-me deles bem idosos e muito doentes, mas as lembranças dos meus irmãos quanto a eles são de pura alegria e doçura. Só tive a oportunidade de conhecer minha avó materna, apesar de não ter muita convivência, guardo com muito carinho nossas longas conversas (e risadas) sobre as novelas que ela amava ver, além dos seus aniversários, único momento no qual se reunia toda a família (filhos, netos, bisnetos e tataranetos....a família é enorme). Era sensacional!


Meu filho tem o privilégio de conviver com os avós. Eles sempre dão um jeito de estarem presentes. Esta presença não é apenas ver ou estar junto, mas participar, brincar, conversar e se permitirem a troca do amor, carinho e respeito. E é muito lindo ver meu filhote preocupado com os avós, pedindo para ligar por estar com saudades, é maravilhoso ver o amor verdadeiro entre eles. 


A velhice é sinônimo de descartável no ocidente, faz parte dessa cultura ignorar ou desprezar tudo que é velho (seja pessoas ou objetos). É lamentável ver filhos abandonando os pais e criando seus filhos desta forma (esquecendo que um dia serão idosos e avós). É grande o número de queixas de idosos que não tem contato com seus netos. É triste o desprezo dos netos para com seus avós. Acredito que os avós deveriam ser essencialmente amados por terem dado a vida a nossos pais e extremamente respeitados por tudo que fizeram pelos nossos pais e por nó, além das suas riquíssimas experiências de vida. É claro que existem exceções, mas estou pontuando aqui os avós que fizeram de tudo pelos seus filhos e netos e agora são desprezados.


Queria eu ter tido a oportunidade de conviver com meus avós ou de viver nessa geração de agora que vai ao shopping com seus avós, curte cinema, balada e praia com os vovôs...nossa deve ser um barato. Mesmo com toda minha limitação de neta, adotei a avó do meu marido como minha avó....olha sinto muitas saudades dos cafés que tomávamos juntas e de ouvir todas as suas histórias de garota, quantas emoções e experiências aquela senhorinha tem e como é rica essa troca. Percebo que tudo que ela mais deseja é ser ouvida com carinho e devida atenção.


Morar com os avós ou conviver não é fácil, ainda mais hoje em dia com gerações tão divergentes, mas deveríamos ao menos ter o mínimo de consideração, carinho, respeito e amor. É necessário mostrar a nova geração a importância e o valor dos avós, em relação a convivência para se ter paciência, em saber ouvir a "voz da experiência", de ter o mínimo de respeito e atenção àqueles que sempre tiveram amor dobrado por nós. Se as pessoas soubessem como uma simples ligação muda radicalmente o dia de uma vovó ou um vovô, talvez tirariam um minuto do seu valoroso e corrido dia para retribuir-lhes com esse gesto. Essa pratica é feita toda semana com meu filho, isso é o mínimo que podemos fazer por quem nos deu (e nos dá) tanto amor e dedicação.


Para todos os idosos, vovós e vovôs do mundo a minha imensa gratidão e um forte abraço.

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Prazer, essa sou eu...

    ... Apaixonada pela vida, amante das coisas simples. Movida pela energia da natureza e pela luz de Deus. Constituída pelos amores: do melhor amigo que virou marido Lê, do meu filho Gui meu maior professor e de um peludinho dog chamado Bup. Melhor equipe do mundo, no qual, compartilho muitas experiências e grandes lições. Eterna aprendiz na vida, descobrindo a arte da culinária e mãe em tempo integral. Essa sou eu neste momento, mas não se acomode, sou uma pessoa em constante mudança, ou melhor dizendo, uma metamorfose ambulante.

 

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