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  • Myh Farias

O silêncio dos seus olhos

A história que trago hoje é sobre um relacionamento conjugal de uma pessoa que conheço e do qual me trouxe (e também deve despertar em vocês) muitas reflexões. Semana passada, em uma conversa com uma amiga, foi relatado a mim que seu casamento estava passando por uma fase não muito boa e ela se sentia muito culpada por não conseguir reaproximar-se do marido, mas a frase que chamou-me a atenção foi: Há um silêncio profundo em seus olhos quando ele olha pra mim.



O contexto: Casados a cinco anos, sem filhos e ambos trabalham muito, batalhando pela sonhada "estabilidade profissional" para depois planejarem o filho. Ela relata que eles têm sintonia, são parceiros e acredita que ainda se amam muito, mas algo não esta se encaixando. "Estamos perdendo o contato, há um abismo de silêncio e esperas entre nós e não sabemos mais como conversar sobre isso. Me pergunto: Aonde cansamos e por quê? O que não importa mais? E o mais importante, por quê não falamos sobre isso e sobre mais nada que relacione a nós dois?" Por fim ela me perguntou: O que eu faço?

Confesso que não soube o que dizer, era tão profunda e pessoal aquela conversa.


Primeiro precisamos entender que a vida de um casal é muito, muito particular e que sempre há um contexto geral e de longo prazo, além da segunda versão da história (ou seja, o lado do marido). Nestes casos, quem está de fora deve ser imparcial e nunca, jamais, em tempo algum, dar conselhos. Afinal de contas, quem sou eu para aconselhar ou dar palpites sobre relacionamentos conjugais, né?! 


Todos os casamentos passam por momentos bons e momentos ruins, isso é o casamento em si. Saber equilibrar esses momentos é que é a grande questão. O problema é que depositamos como responsabilidade do outro preencher todos os nossos vazios e aí a coisa desanda porque a responsabilidade pelo que nos falta e a forma como iremos preencher é toda nossa.


Bom, o que eu pude dizer foi o seguinte: Você esta disposta a resolver isso? Você quer fazer seu casamento dar certo? Então faça com ele o que você gostaria que ele fizesse com você. Ela respondeu: Eu tento, juro que tento (tenta ou faz?!), mas nosso grande problema é a falta de diálogo sobre nós dois. Conversamos sobre tudo, mas somos incapazes de dizer que não estamos bem. Se eu começo o diálogo sobre isso, ele me acusa de sempre dizer a mesma coisa e não resolver o problema (como assim? É união unilateral, existe isso?). A verdade é que eu não desperto mais a atenção dele, a vontade dele querer estar junto ou até mesmo dele sentir essa falta "do casal". Falta de algo entre nós dois. Então, resolvi parar de tentar, vivo minha vida e deixo ele viver a dele. Ás vezes conversamos sobre nosso dia resumidamente ou sobre a rotina de casa, sem muito assunto, sem brincadeiras, sem risadas, sem carinho, apenas silêncio. Jantamos quase sempre juntos e em silêncio e se as vezes saímos para dar uma volta é na companhia do silêncio. Sinto como se fôssemos grandes amigos compartilhando o mesmo teto. E não percebo nele a mínima dúvida, incerteza e até mesmo falta de absolutamente nada. Por conta de tudo isso, tenho trabalhado como uma louca, fazendo até extra para ver se é produzido alguma queixa e nada, apenas silêncio.


Antes de encerramos a conversa, perguntei: Por que você disse que existe silêncio nos olhos dele? Ela respondeu: Porque ele sempre foi uma pessoa de poucas palavras, não é de falar como eu, mas sabíamos tudo um do outro, se não fosse através do diálogo era pelas expressões, entendiamos nossos olhares, sorrisos e gestos. Agora nem isso mais.


Ouvindo atentamente e percebendo a gravidade da situação, aconselhei a ela que procurasse um psicólogo de casais para tentar fazer junto com ele uma terapia de casal. Se ambos estiverem empenhados em fazer dar certo a terapia lhes dará suporte e muita reflexão para chegarem a conclusão de que só depende dos dois fazerem (no sentido da ação) dar certo. Mas a terapia de casal também traz o esclarecimento a ambos de que o melhor talvez seja cada um seguir o seu caminho e ajudará os dois a fazerem isso da forma mais amigável possível (claro, se permitirem essa consciência).

Muitas vezes, casais se separam mesmo se amando, apenas não sabem dar certo juntos e isso pode estar relacionado ao momento de vida de cada um, onde talvez lá na frente ao se reencontrarem, juntem-se novamente e dê muito certo, porque amadureceram individualmente como pessoa para depois construírem-se como casal.


A vida a dois, agora falando por experiência própria, além do amor como ponto crucial, requer muito comprometimento de ambas as partes, muita vigilância dos atos cometidos dentro da união, mas acima de tudo, precisa de muita ATENÇÂO que traz constantes diálogos e ações que mantenham a chama acessa, do qual nos conecta num denominador comum, o amor...Entendeu como funciona o ciclo? Isso é exercício diário, e só funciona se for uma troca.


Então, pense aí e responda para si mesmo, do gesto mais simples ao mais complexo, o que você tem feito para que esse ciclo não seja interrompido?


Reflita e aja,


Um grande abraço e até a próxima.

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Prazer, essa sou eu...

    ... Apaixonada pela vida, amante das coisas simples. Movida pela energia da natureza e pela luz de Deus. Constituída pelos amores: do melhor amigo que virou marido Lê, do meu filho Gui meu maior professor e de um peludinho dog chamado Bup. Melhor equipe do mundo, no qual, compartilho muitas experiências e grandes lições. Eterna aprendiz na vida, descobrindo a arte da culinária e mãe em tempo integral. Essa sou eu neste momento, mas não se acomode, sou uma pessoa em constante mudança, ou melhor dizendo, uma metamorfose ambulante.

 

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