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  • Myh Farias

Propriedade x Prioridade: Relações interpessoais

Está cada vez mais comum criarmos relações, sejam elas,  no contexto familiar, escolar, de trabalho ou de comunidade com níveis de dependência elevados. Cuidado, muito cuidado porque você pode estar aprisionado ou aprisionando alguém em uma relação exaustiva, abusiva, insensata e fantasiosa. Transformando o que poderia ser uma relação saudável e prazerosa em um relacionamento doentio e doloroso.



Interagir com pessoas, trocar experiências e relacionar-se são características comuns do ser humano. Nos relacionamos com nossa família de origem, depois aprendemos a construir uma relação social com os amiguinhos na escola, na adolescência inicia-se a construção da própria identidade, onde o adolescente se desprende do vínculo familiar para construir a própria identidade a partir da relação com grupos que constituem os mesmos ideais e conflitos. Passado esta fase e entrando na fase adulta o indivíduo escolhe um (a) parceiro (a) para constituir uma família (outro tipo de relação) e dentro desse contexto são construídos outras relações, com outros grupos. Ou seja, o ser humano é um ser de relação. Nos construímos através das nossas relações, das formações de grupo que formam uma sociedade.


Mas o que as relações tem haver com propriedade e prioridade? Tudo. Essas palavras demonstram a forma no qual essas relações são criadas. É alarmante,  observar que em pleno século XXI, existam indivíduos que se apropriam do outro como se este fosse um objeto, neste caso tratando-o como PROPRIEDADE, ou seja, a pessoa tem (ou quer) o domínio do outro, inclusive sobre todas as suas relações com direito de usar, gozar e dispor, como se fosse um bem (objeto). Esse tipo de relação é muito comum e na maioria das vezes tão sutil que o "sujeito dominado" não percebe. Acredito que inicia-se no ambiente familiar quando a criança ou o adolescente não tem o direito de se expressar, não tem uma relação de liberdade e confiança com seus cuidadores e já foi criada de forma a olhar e obter do outro apenas o que lhe convém e infelizmente crescerá atribuindo ao outro a responsabilidade de ser para ele sua propriedade, objeto do seu bel prazer. 


Com a quebra de paradigmas trazidas pela globalização e avanço tecnológico, as pessoas tiveram mais acessos a informações sobre relacionamentos abusivos e como percebê-los para se protegerem ou evitá-los; a empatia e a gentileza estão sendo cada vez mais cultivados entre as pessoas (felizmente!). As instituições estão engajadas em projetos que favoreçam o respeito e a união entre as pessoas no ambiente de trabalho. Mas as relações abusivas (que eu chamo de relação de PROPRIEDADE) estão longe de acabar.


É necessário que haja uma conscientização coletiva de que qualquer relação, seja ela familiar, conjugal, entre amigos, no trabalho, entre outros, precisam estar permeadas no que eu chamo de relação de PRIORIDADE, ou seja, relação baseada em uma condição, ordem e dignidade. Há uma enorme diferença entre eu me relacionar com alguém e achar que essa pessoa é minha propriedade ou minha prioridade. Não devemos ser propriedade de ninguém, nem de nossos pais. Mas podemos ser prioridade de alguém, numa escala de importância e não de domínio. 


Exemplo: Na minha vida, meu filho é minha prioridade, depois vem meu marido, meus pais e família. Nesta mesma ordem, meu filho nunca será minha propriedade, porque ele é uma pessoa, única, composta de seus desejos, sonhos e vontades. Cabe a mim apenas, norteá-lo entre o certo e o errado, ensiná-lo os valores morais da vida e o resto quem vai determinar que caminho seguir será apenas ele. Mostro-lhe desde cedo o valor de uma mulher, o exemplo de seu pai ao me auxiliar nas tarefas de casa e a importância de respeitar o outro (em seu desejo e sua essência) seja quem for... Essas, na minha concepção, são as prioridades da construção de qualquer relação.


Portanto, priorize as suas relações, mas nunca se aproprie delas.


Um grande abraço e até a próxima.

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Prazer, essa sou eu...

    ... Apaixonada pela vida, amante das coisas simples. Movida pela energia da natureza e pela luz de Deus. Constituída pelos amores: do melhor amigo que virou marido Lê, do meu filho Gui meu maior professor e de um peludinho dog chamado Bup. Melhor equipe do mundo, no qual, compartilho muitas experiências e grandes lições. Eterna aprendiz na vida, descobrindo a arte da culinária e mãe em tempo integral. Essa sou eu neste momento, mas não se acomode, sou uma pessoa em constante mudança, ou melhor dizendo, uma metamorfose ambulante.

 

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