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  • Myh Farias

Quando se escolhe ser mãe

Tornar-se mãe é uma questão de escolha.



Não se é mãe pelo fato de ter colocado um filho no mundo, ser mãe é muito mais do que isso, é estar sempre em construção mútua com seu (s) filho (s). Há milhões de pessoas que colocam um filho no mundo, mas nem todas são mães, porque ser mãe é implicar-se no processo, se doar sem esperar nada em troca, é amar mais que a si mesmo, é estar presente na ausência, é pensar com o coração, é sempre estar com a sensação de não ser o suficiiente e não dar crédito para aquela pergunta que nunca se cala: "Sou uma boa mãe?". Se você já se fez essa pergunta, acredite, você é mãe de verdade e uma ótima mãe.


Estou escrevendo essa reflexão porque hoje, data em que se comemora o "dia das mães", estou acordada desde às 2:10hs da manhã (já são 5: 30hs) porque meu filho teve febre a noite e fiquei o tempo todo aferindo sua temperatura. Isso é uma das facetas de ser mãe..rs


Quando escolhi ser mãe jamais imaginei que me tornaria um "polvo", uma mulher multitarefas, de pensar rápido, fazer mais rápido ainda e de tudo isso ser em prol do meu filho, parei de olhar para o centro do meu umbigo, para ser a melhor que posso ser para ele. Quero torná-lo um ser humano melhor do que eu, quero orientá-lo para que não cometa os mesmos erros que cometi e principalmente quero que ele possa ser humano em sua essência.


Acredito que esse deve ser o desejo de toda a mãe, mas nem todas conseguem atingir esse êxito, porque precisamos entender que os nossos filhos não são uma extensão nossa, eles são seres únicos, dotados de uma personalidade própria e cabe a nós, mães, apenas entender o funcionamento deles e orientá-los em suas próprias jornadas. Aí é que está, não estamos preparadas para esse processo. Por amarmos além de nós mesmos, achamos que nossos filhos serão (e farão) o que queremos e não é bem assim que funciona não.


Lembro-me de uma aula de psicologia na faculdade sobre desenvolvimento infantil do qual a professora disse assim: é de responsabilidade dos cuidadores incutir a linguagem ao bebê, é através dos sinais que mãe e bebê irão criar vínculo e se entender, mas não pense que neste processo de desenvolvimento aquele indivíduo (o bebê, a criança...em suas fases) irá entender perfeitamente o que se é falado ou ensinado, ele irá interpretar tudo da forma que ele quiser a partir das suas experiências vividas (quando bebê através das sensações captadas desde o ventre da mãe). Nunca na minha vida vou esquecer dessa aula.


Eu só pude compreender isso ao longo do tempo, nas fases de desenvolvimento do meu filho, e olha não é fácil aceitar que ele, mesmo com seus 7 anos, é um ser único, de personalidade forte, com suas vontades e desejos, e que, não posso fazê-lo ou criá-lo como uma extensão de mim. Quando escolhi ser mãe ninguém me disse que a parte mais difícil da maternidade seria a educação moral. Esse tipo de educação não se aprende nas escolas, não se aprende com terceiros, se aprende com os pais (ou os principais cuidadores), porque um filho não é sua extensão, mas espelha-se em você, nas suas atitudes, nos seus gestos, na sua fala, no seu comportamento, nas coisas que você ensina e principalmente no que você é.


Quando escolhi ser mãe jamais imaginei o impacto que a minha educação, o que aprendi, e a pessoa que sou pudesse ser a principal fonte de construção do meu filho, diante disso, fiz a escolha de ser mãe em tempo integral por dois anos, primeiro para conhecer meu filho, depois para me conhecer e em terceiro para nos conhecermos, foi uma experiência incrível e muito difícil. Me construí e desconstruí diversas vezes, catei meus caquinhos milhões de vezes mas em cada remenda me senti diferente, mais forte, com mais garra, mais conectada ao meu filho e muito mais mãe. Mudei completamente a minha vida para ser mãe, para ter a responsabilidade pelo meu filho e não me arrependo. Infelizmente nesse país são poucas as mães que podem fazer esssa escolha e ser mãe em tempo integral não faz de você mais mãe ou menos mãe, o que importa é o tempo em que você disponibiliza para estar (ser presente) na vida do seu filho. É compreender que as dificuldades sempre estarão presentes e cabe a você determinar as suas prioridades.


Entre inúmeras renúncias, escolhas, decisões difíceis, nada jamais será mais compensador do que ouvir: "mãe, obrigado por estar sempre comigo!" Ou, "mãe sei que você fez isso porque era o melhor para mim", sem falar dos incontáveis "eu te amo" e "deixa eu cuidar de você hoje". Pois é, isso é ser mãe. Não existe livro de autoajuda que ensine mais do que as experiências do dia a dia, do diálogo, do estar presente de alguma forma, do carinho, do ensinar a amar desde a formiguinha, as coisas, as pessoas e a ele mesmo. O que ele irá fazer com tudo isso daqui pra frente não sei, mas eu tento fazer e ser a melhor mãe que posso. E nunca, jamais, em tempo algum desistirei desse ofício.


Um enorme abraço em todas as mães de laço, de sangue, de quatro patas e de coração.


Até breve.


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Prazer, essa sou eu...

    ... Apaixonada pela vida, amante das coisas simples. Movida pela energia da natureza e pela luz de Deus. Constituída pelos amores: do melhor amigo que virou marido Lê, do meu filho Gui meu maior professor e de um peludinho dog chamado Bup. Melhor equipe do mundo, no qual, compartilho muitas experiências e grandes lições. Eterna aprendiz na vida, descobrindo a arte da culinária e mãe em tempo integral. Essa sou eu neste momento, mas não se acomode, sou uma pessoa em constante mudança, ou melhor dizendo, uma metamorfose ambulante.

 

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